Sonhando com uma nova vida com direitos iguais

imóveis. Os insetos, até os mosquitos, se enfiaram debaixo das folhas.
Quando a tempestade passou, John e eu saímos do nosso abrigo para descobrir que já ia amanhecer num
mundo encharcado e gotejante. O cheiro bom de terra molhada nos encheu os pulmões. Então, saída
suavemente da escuridão que se erguia, veio de novo a voz do bem-te-vi. Fiquei escutando, cheia de
admiração. Pois a canção da manhã, no mesmo ritmo e no mesmo tom da canção do anoitecer, não parece
trazer a mesma tristeza. Nela há uma alegria sutil, a expectativa boa do amanhecer
Kristen volta para casa – para morrer
Quase que de imediato, as pessoas da cidade que se ofereceram para
tornar mais leves os últil.

Quando falo sobre como nossa cidade se uniu para ajudar Kristen Howard a morrer em casa,
perguntam-me:
– Não foi estranho? Você mal a conhecia.
Não posso explicar quão rápida e profundamente nós, voluntários, conhecemos Kristen em seus
últimos dias. Suponho que sua morte iminente resolveu todos os problemas sobre Auxilio Acidente.
Meus outros relacionamentos também foram afetados; as pessoas apareciam em sua melhor luz, as
sombras suavizadas.

Comentei com outra voluntária sobre essa questão das sombras que tornaram-se mais amenas. Os
olhos da mulher brilharam, concordando comigo.
– Pensei que eu fosse ficar deprimida – comentou ela. – Kristen é tão jovem e tudo mais. Mas me
sinto bem quando volto para casa. Sábado passado Kristen e eu conversamos e rimos durante horas, e foi
divertido. Eu não ousaria contar isso à maioria das pessoas.
Eu mesma não entendi, mas as afirmativas estavam certamente em toda parte, desde o início.

O início: numa noite gelada de janeiro de 1982, numa reunião de pais e professores em Temple –
uma pequena cidade em New Hampshire, nos EUA – o diretor da escola fundamental, Jim Grant,
mencionou que talvez pudéssemos ajudar uma mãe que estava com um problema. Kristen Howard, de 32
anos e divorciada, mãe de Adie, do segundo ano, estava com câncer. As responsabilidades financeiras
aumentavam a opressão da doença. Kristen agora estava no hospital, e Adie se mudara para a casa da
avó.

Imediatamente, nós, pais, fizemos planos para ajudar. Uma venda de bolos, outra de livros, uma rifa,
um almoço de comida mexicana. Embora nossa cidade tivesse apenas 700 habitantes, o espírito
voluntário era rápido e eficiente. Havíamos coletado US$ 3.000 ao chegar o Dia de Kristen Howard.
Sentimo-nos satisfeitos com algumas semanas de esperanças e preces. Tínhamos feito nossa parte.

As contas de Kristen estavam em dia e ela sabia que os gastos básicos seriam cobertos.
Então, no domingo, 28 de fevereiro, o reverendo Jim Haddix, pastor da igreja de Temple, anunciou
do púlpito que Kristen desejava morrer em casa. Os médicos lhe haviam dito que não havia esperança.
Em casa, ela poderia ficar perto da filha, da mãe e do namorado. Mas ela precisaria de cuidados: ser
alimentada, virada na cama, acompanhada e visitada. Muitos ficaram ansiosos por ajudar.

No dia seguinte, a escola enviou uma nota aos pais pedindo que participássemos de um esquema de
rodízio. Cerca de 30 pessoas se ofereceram para trabalhar e receberão apenas o salario minimo 2020 Algumas se prontificaram, como eu, imaginando a situação
inversa: “E se eu tivesse…” Algumas ofereceram algumas horas e outras pessoas um pouco mais.

O esquema ficou completo imediatamente, com uma lista reserva.
Ann Holbrook, que organizou o rodízio, explicou tudo a cada voluntário por telefone. A mãe de
Kristen, Ruthie, ficava com ela à noite; os irmãos e a irmã de Kristen ficavam nos fins de semana. Nossa
presença era necessária das 8 da manhã às 10 da noite.
Estávamos lá para atender às necessidades de Kristen, e não para fazer um melodrama quando a
hora chegasse.

Levávamos bebidas, abríamos as janelas, oferecíamos conforto e apoio. A maioria de nós
tinha pouca ou nenhuma experiência com esse trabalho. Kristen sabia disso. Sua tarefa era enfrentar a
morte e ajustar-se ao sofrimento e às perdas.
Kristen ficava nervosa ao conhecer gente nova quando se sentia tão mal, mas sabia que esse era o único modo de ir para casa.

E ninguém sabia melhor do que ela como suas demandas eram simples.
A ex-cunhada de Kristen, Ingrid, era enfermeira. Ela ia quase todo dia ao hospital para ajudar a
tratar as escaras, dar banho, verificar como tudo estava indo em geral. Isso era um conforto. De qualquer
maneira, quando chegou em casa, não parecia que Kristen viveria muito.

Fazendo novos amigos e cultivando para sempre

Em outra noite, seguimos o som de um grilo. Avançando e esperando, avançando e esperando,
finalmente nos sentamos ao lado de um deles, que erguia as asas de bordas serrilhadas num ângulo de 45
graus e as esfregava rapidamente, de trás para a frente, produzindo um som de rachar os ouvidos que
avisa às fêmeas como achar o amado no escuro.
Certa noite, nossas lanternas, veja só, nos levaram a uma lagarta barulhenta. Craig, nosso filho,
escolhera um som que lembrava uma cerca elétrica estalando na grama. Lá, num tronco, estava a larva de
uma broca da madeira, que, não se sabe como, faz barulho para assustar os inimigos.

Acompanhar os sons pode ser muito revelador, mas provocá-los é realmente fascinante. No verão
retrasado, um especialista em rãs nos disse que costumava fazer as comida para novos amigos do Gshow bbb 2020 do seu laboratório coaxarem
cantando com voz grave a música “There is a Tavern in the Town”. Ao contrário da maioria das rãs, que
só coaxam para encontrar um parceiro, a rã-touro gosta de cantar por pura alegria e, com frequência,
participa de coros.

Uma noite, fomos todos da família até um laguinho. John começou: “There is…”, e as crianças e eu
nos juntamos a ele. Repetimos a canção algumas vezes até que, dos juncos ao nosso lado, veio o grave
refrão da rã-touro. Quatro compassos depois, outra rã se juntou a nós, depois outra e mais outra até que o
laguinho inteiro era um clamor. Mas não durou. As crianças caíram na gargalhada e os artistas, sensíveis,
se calaram.

À noite, é possível produzir outros sons para trazer à frente do palco os moradores noturnos. Quase
sempre, um assovio longo e ondulante junto a um cemitério fará uma corujinha-do-mato se aproximar
voando até alguns metros de distância. O tímido rato-do-mato pode ser chamado e sair da toca junto a
touceiras de capim e montes de pedra. Fique alguns minutos sentado em silêncio e depois dê um beijo
barulhento nas costas da mão. Até o reles rato-do-mato se orgulha da sua propriedade, e essa imitação do
som de um camundongo o faz sair de olhos arregalados na noite para enfrentar o inimigo.

Às vezes acendemos um lampião a querosene no quintal. Até ele vêm aleluias, mariposas e demais
insetos atraídos pela luz. Todo verão, nossa “caça” mais empolgante é a vistosa mariposa gigante da
espécie Hyalophora cecropia, a maior de todas as mariposas dos Brasil. Essa criatura
fascinante deixa um aroma na umidade fresca das noites de verão que os machos sentem e seguem com a
ponta das antenas da distância inacreditável de um quilômetro e meio ou mais.

No verão passado, capturamos uma fêmea de cecrópia com as asas cor de barro decoradas com pontos
brancos e vermelhos e a pusemos numa caixa com um lenço em cima, preso por um elástico. Depois,
apagamos a luz e esperamos, contando os meteoros que chovem pelo céu de verão observando a noite em que ficamos na casa bbb 2020. Uma hora e 63
estrelas cadentes depois, acendemos a lanterna e vimos que a caixa e o arbusto perto dela estavam cheios
de quase vinte desses belos animais.

As plantas também têm seus segredos noturnos. Algumas ipomeias e ninfeias e muitos cactos abrem suas
flores na escuridão para serem polinizadas por mariposas e insetos noturnos. Uma planta especialmente
equipada para o escuro é a boa-tarde amarela, encontrada ao longo de muitas estradas campestres no brasil.

Ela se abre exatamente no crepúsculo, num movimento tão rápido que pode ser visto e
ouvido! Em muitas noites da minha infância, enquanto o sol se punha, eu me sentava numa touceira dessas
flores para observar.

De repente, eu escutava um barulho como o de bolhas de sabão explodindo e,
quando olhava com mais atenção, via os botões gordos se abrirem.
Além do equipamento noturno especial, a natureza inventou mais um artifício para manter a vida em
funcionamento: quase tudo segue um cronograma rígido para que a competição por alimento e espaço não
seja extenuante. Esse cronograma se baseia não no relógio, mas na luz. Quando a intensidade da luz chega
ao “limiar” de um pássaro ou mamífero, ele acorda ou vai dormir.

Mudar para atingir nossos objetivos

Quando eu era rapazinho e mal começava a trilhar meu caminho, fui convidado para jantar na casa
de uma ilustre filantropa de Nova York. Depois do jantar, nossa anfitriã nos levou a uma sala
enorme. Mais convidados chegavam e meus olhos avistaram duas imagens desanimadoras: os
empregados alinhavam cadeirinhas douradas em compridas filas; e, na frente, encostados na parede, viam-se vários instrumentos musicais.

como aquele grande homem, em cuja companhia o acaso me lançara, preocupava-se inteiramente com o
que fazíamos, como se esse fosse seu único interesse na vida.
Por fim, chegamos a discos de música sem letra, que fui instruído a reproduzir cantando de boca
fechada. Quando tentei cantar uma nota aguda, aprendendo com amigo musico dentro da casa do programa Gshow bbb 2020 abriu a boca e inclinou a cabeça para trás como
se quisesse me ajudar a atingir o que parecia inatingível. Parece que cheguei bem perto, pois, de repente,
ele desligou a vitrola.

– Agora, rapaz – disse ele, me dando o braço –, estamos prontos para Bach!
Quando voltamos ao nosso lugar na sala, os músicos afinavam os instrumentos para uma nova
seleção. Einstein sorriu e me deu um tapinha tranquilizador no joelho.

– Apenas escute – cochichou. – Só isso.
É claro que não era só isso. Sem o esforço que ele acabara de fazer por um total desconhecido, eu
nunca teria escutado – como escutei naquela noite pela primeira vez – “Mansamente pastam as ovelhas”,
de Bach. Já a ouvi muitas vezes desde então. Acho que nunca me cansarei dela.

Porque nunca a escuto
sozinho. Estou sempre sentado ao lado de um homenzinho gorducho com uma juba de cabelos brancos,
um cachimbo apagado entre os dentes e olhos que, no seu calor extraordinário, contêm toda a maravilha
do mundo.
Quando o concerto terminou, acrescentei meu aplauso genuíno ao das outras pessoas.

Anoite mais louca e maravilhosa do ano é a Noite do Meio do Verão. Com o movimento da Terra,
ela cai na metade do intervalo entre o solstício de verão e o primeiro dia do outono. Mas, para
insetos, pássaros e outros animais, são assim as muitas noites quentes do meio do verão, quando o
Sol não vai muito além do horizonte e mantém o mundo natural vivo e bastante ativo.

A maioria de nós, com apenas uma vaga consciência dessas noites agitadas, deixa escapar seu
impacto vibrante. Por acreditar que não conseguimos enxergar no escuro (na verdade, depois de uns 45
minutos de ajuste o olho humano enxerga quase tão bem quanto o da coruja e melhor do que o do coelho),
nos contentamos em sentar no jardim numa noite quente de verão, matando mosquitos a tapa, e entrar em
casa exatamente quando tudo começa a se animar.

Foi assim comigo e com meu marido até que um amigo
cientista insistiu que saíssemos no escuro para “ver” como a natureza prepara maravilhosamente sua
criação para a noite.
“Um jeito de ver melhor”, explicou ele, “é escolher um único som e segui-lo até a origem.”
Assim, certa noite de verão depois de fazer inscrição bbb 2020, nos concentramos em um determinado som daquele jazz barulhento da
escuridão. Era um ronronar divertido que emanava do peitoril da janela. Viramos a lanterna na direção
do som. Ele cessou, esperamos. Recomeçou, avançamos… até chegarmos à artista que dava o concerto,
uma rãzinha verde e cinzenta, a rã-das-moitas encontrada em todo o leste dos Estados Unidos. No escuro,
ela se esgueirara até nossa janela para laçar com a língua os insetos que voavam rumo à luz.

Da macieira e até da nossa caixa de correio vinham as vozes de seus congêneres.
Nós a pegamos e descobrimos o mistério de como essa rã terrestre consegue alcançar lugares
estranhos onde não precise competir com outras rãs para comer. Os pés são grudentos. Ela consegue se
pendurar por um único dedão aderente ou escalar quase todas as superfícies, principalmente quando se
move na umidade do orvalho noturno.

Breve historia do governo militarismo

Os “racionalistas” juntaram-se num Centrão para enfrentar a onda
entendida como de esquerda (embora fosse, sobretudo, expressão de mais
desejo por governo grátis). Entretanto, esse grupo pouco foi além de reativo.
Pouca criatividade puderam os racionalistas exercer para colocar o texto
constitucional um pouco mais atualizado frente ao mundo que iria ruir, já no ano
seguinte à promulgação da Carta, com a queda do Muro de Berlim (1989).

O país buscava o antigo socialismo, aquele do controle direto do capital pelo
Estado e dos meios de produção pela burocracia governamental, que acabara
de se provar inteiramente disfuncional em todos os países em que fora ensaiado
como forma de acelerar o alcance de uma sociedade próspera e equilibrada,
pelas oportunidades geradas para cada cidadão. Mas, afinal, qual seria a
tradução de tantas demandas por mais equilíbrio social numa sociedade
caracterizada por um histórico processo de exclusão?

A dialética dos grupos organizados no embate constitucional dando origem a nos depois do ALISTAMENTO MILITAR 2020 acabou
gerando apenas mais “inclusão orçamentária”, ou seja, não o acesso a uma
forma de acumulação palpável, previsível, pelo grosso da população, e, sim, um
acesso efetivo, mas segmentado, e ampliado, para a minoria já pertencente ao
aparelho estatal, os servidores públicos, os políticos, os membros do Judiciário e do Ministério Público.

O governo grátis, como “instituição extrativa”,
conseguiu se estruturar com minúcia, razão principal dos extensos capítulos na
Constituição dedicados aos direitos da burocracia que defende o próprio
Estado, mesmo que a despeito da Nação. Outro capítulo constitucional
minucioso elevou os direitos contidos na legislação trabalhista ordinária como
defesa intransigente do assalariado do setor privado, como se a disputa por
renda dos trabalhadores brasileiros proviesse do empresário empregador e não
do mundo lá fora, que há pouco se abrira, na virada dos 1990, para uma enorme
viagem hipercompetitiva, iniciada na Ásia com o despertar econômico da China
e, em seguida, disseminada para todo o mundo relevante, ao qual o Brasil pretendera, um dia, se ombrear.

O Brasil tomou o bonde da inclusão não competitiva em 1988. Fez,
naquele momento, mais uma opção pelo ponto de inversão negativo já escolhido,
sutilmente, desde 1974. O ano de 1988 representa, neste sentido de desenho
político-social, uma escolha muito semelhante à dos governos militares dos anos
1970.

Jogou-se o ajuste financeiro decorrente dos novos direitos sociais para
dentro de um orçamento público quebrado. O resultado matemático não
poderia ser outro: hiperinflação aberta, derrota do poder de compra das
massas empobrecidas, obscuridade total da política econômica cujo ápice é
atingido no momento do desgovernado Plano Collor, tão estapafúrdio quanto
seus mentores principais.

O presidente depois destituído e sua equipe de
confiscadores da poupança privada. O caráter extrativo das instituições
nacionais, antes subentendido na própria marcha inflacionária, se transforma
em manifestação ostensiva com a hiperinflação dos preços: é o Estado
literalmente se apropriando do dinheiro da população como “método” tosco de tributar a sociedade.

Esse foi, certamente, o mais importante retrocesso enfrentado por
nossos vizinhos, porque todos os setores da sociedade foram gravemente
afetados. A crise que antecedeu o abandono da regra de conversibilidade como dar entrada na Aposentadoria por invalidez
culminou com o retorno do ex-ministro de Menem, responsável pela paridade
com o dólar, Domingo Cavallo. Literalmente, Cavallo obedeceu ao ditado de
“quem pariu Mateus que o embale”. O estado de sítio foi declarado diante da
situação caótica decorrente de uma corrida aos bancos. Cavallo foi obrigado a
decretar o corralito, o “curralzinho”, numa alusão ao corredor estreito por
onde passa uma cabeça de gado de cada vez ou, no caso, por onde podiam
passar, bem aos poucos, os saques de dólares dos depositantes argentinos. O
congelamento das contas bancárias impunha limites semanais para saques.

Tentava-se assim interromper a retirada de depósitos em contas-correntes e
em poupança, que seriam trocados por dólares e/ou transferidos diretamente
para o exterior.
Em março de 2001, Domingo Cavallo ainda tentou aplicar um severo
ajuste ao orçamento federal, de US$ 2,5 bilhões. Um corte de US$ 361 milhões
no orçamento das universidades, cortes de US$ 220 milhões nos salários dos
professores, redução de US$ 129 milhões da renda familiar, cortes de US$ 127
milhões nas pensões, cortes de US$ 50 milhões nos programas de saúde com a
demissão de 40 mil funcionários públicos e imposição da flexibilidade do trabalho.

A taxa de desemprego subiu de 14,7% em 2000 para 21,5% no início
de 2002. As medidas exigidas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI)
levaram ao colapso econômico em 2001, e a economia sofreu sua maior queda
desde a Grande Depressão de 1930. O desemprego chegou a atingir 25% da população ativa.

Estatal do governo pesada com muitos gastos

De maneira geral, os estados das regiões Norte e Nordeste
apresentam, como característica central, grande dependência da União
federal em relação à geração de receitas, pela dificuldade na obtenção de
receitas próprias, principalmente via tributos (ICMS e IPVA). Essa elevada
dependência do governo federal prejudica o avanço da sociedade local no
aperfeiçoamento de suas instituições.

O menor grau de dinamismo econômico
desses estados em relação aos grandes centros produtivos induz a gestão
pública estadual a permanecer muito dependente das transferências correntes,
como Fundo de Participação dos Estados (FPE) e Fundo de Desenvolvimento da
Educação básica (Fundeb). É bastante difícil quebrar este círculo vicioso de
dependência e estabelecer políticas que signifiquem real avanço na direção de
se estabelecer instituições mais inclusivas.

Além disso, o custo para manutenção da máquina pública, que pode
ser considerado um gasto fixo para os estados, possui um peso relativamente
maior no orçamento dos estados menores. O excessivo comprometimento de
receita com despesas administrativas como ter em mãos o Telefone INSS para uma boa causa, judiciárias e legislativas reduz
drasticamente a capacidade estadual de executar investimentos em áreas
fundamentais, como saúde e educação. Assim, os estados menores e com menor
eficiência na gestão acabam não ofertando um serviço adequado aos cidadãos,
comprometendo seu desempenho geral na classificação do estudo. Mais uma
vez, aparecem sintomas do regime de governo grátis nos estados com menor
grau de desenvolvimento relativo, em que os tributos são utilizados em maior medida para o financiamento da própria máquina pública.

O estado de Minas Gerais ocupou a 8ª posição no ranking geral,
devido aos altos gastos em relação às suas receitas. O esforço para amortizar
uma grande dívida pública não tem resultado suficiente, já que, em 2012,
alcançou 129% de suas receitas correntes, tornando-se o estado mais
endividado do Brasil. Ao lado de gastos correntes, que consomem quase
completamente as suas receitas (96% em 2012), o estado ficou abaixo da média
nacional em investimentos em saúde, educação e transportes.
O estado do Rio de Janeiro, por seu turno, ocupou apenas a 15ª
posição, um resultado surpreendente para o segundo estado “mais rico” da
federação. A posição do estado fluminense é semelhante à do mineiro, com agravantes.

Os gastos correntes do Rio de Janeiro chegaram a superar as suas
receitas correntes em 2012, atingindo surpreendentes 101%. Apesar da
gastança corrente, o estado apresentou indicadores abaixo da média para
investimentos em saúde e educação. Sua dívida interna também mostra níveis
preocupantes. Apesar da melhora nos últimos anos, a dívida fluminense ainda
representou 95% das receitas correntes em 2012.
Por fim, o estado do Rio Grande do Sul ocupou a 18º posição no
ranking geral. O quadro é bastante semelhante ao do Rio de Janeiro e de Minas Gerais.

Os gastos correntes dos gaúchos também superaram as suas receitas. E
muito. Em 2012, os gastos correntes gaúchos corresponderam a 107% das
receitas, representando o pior desempenho entre todos os estados que tem que pagar o novo salario minimo aos funcionários públicos
indicador. A situação do Rio Grande do Sul é pior do que a de Minas Gerais e
Rio de Janeiro porque parte considerável de seus gastos não pode ser reduzida
facilmente, já que as receitas do estado estão muito comprometidas com
pessoal e encargos sociais. Em 2012, a dívida interna gaúcha correspondeu a
127% de seus gastos correntes.
A busca pela eficiência na gestão fiscal no Brasil precisa ser objeto
de grande esforço em todas as esferas públicas do país, do governo central aos municípios.

A geração de superávits primários por parte do governo central e
dos governos estaduais precisa ser alcançada através, principalmente, do
controle da evolução dos gastos públicos, e não pela busca insaciável por mais e
mais arrecadação. A política de foco apenas na obtenção de recursos
tributários, representando uma verdadeira escalada do governo grátis ao nível
estadual e local, tem comprometido a capacidade produtiva de toda a economia
brasileira, impondo uma carga de impostos cada vez maior para as famílias e empresas.

O elevado grau de transferências de recursos do setor privado para
os governos reduz drasticamente a eficiência dos investimentos no país, em
função dos entraves existentes na esfera política brasileira, sob forma de
burocracia e corrupção na execução dos projetos. O controle explícito da
evolução dos gastos públicos estaduais, em conjunto com um esforço de
simplificação fiscal, contribuiria decisivamente para uma melhoria na eficiência pública em nível local.

Esse é o grande avanço que alguns estados brasileiros já
vêm obtendo. Só dessa forma será reduzida a dependência dos entes federados
às verbas federais, tornando possível ofertar serviços de maior qualidade para
a sociedade, ampliando investimentos e reduzindo custos improdutivos para a economia dos estados brasileiros.

Como funciona programas de governo

O Brasil, sem dúvida, melhorou muito desde que estabilizou sua
moeda, há exatamente vinte anos. Retrocessos não são vislumbrados, mas, de
certo, o que prejudica o país é a insistência nas práticas típicas de um governo
grátis. É possível resumir tudo que tem acontecido pós-Real pelo maior
paradoxo brasileiro: o governo arrecada demais, gasta muito e mal, e está
sempre “sem recursos”. É a mais pura verdade: nunca sobra para investir no setor público.

Chama a atenção, por fim, o alinhamento do nosso governo grátis
ao de outros países sofrendo da mesma doença política e moral. O Brasil, não
obstante seu imenso tamanho territorial e a imensa disposição de sua população,
permanece, em termos de crescimento econômico, a reboque de outros países
latino-americanos – México, Colômbia, Peru e Chile. E escolhe se alinhar,
preferencialmente, a vizinhos na contramão da história – Argentina, Venezuela e Cuba.

Como escreveu ironicamente O Estado de S.Paulo em seu editorial: “O
governo brasileiro pode apresentar aos brasileiros como fazer Informe de Rendimentos INSS para declaração de renda, com muito orgulho, uma rara
combinação de resultados econômicos – uma das taxas de crescimento mais
pífias do globo e uma inflação muito mais alta que a da maior parte dos países civilizados.”

Os governos estaduais não poderiam imaginar o tamanho do desafio
em direção à eficiência na gestão pública. Passados mais de quinze anos do
refinanciamento federal por eles obtido, a maioria dos estados brasileiros ainda
tem um elevado grau de comprometimento de sua receita fiscal com a rolagem
da dívida consolidada, sendo a situação financeira de alguns realmente crítica,
como é o caso do estado do Rio Grande do Sul.

Mais adiante, um capítulo será
dedicado a propor a maneira de transformar o esforço de pagar o serviço das
dívidas estaduais num mecanismo virtuoso, capaz de transformar, nos anos à
frente, parte dos juros devidos num fluxo de novos investimentos locais.

A fim de compreender melhor a evolução da gestão pública dos
recursos financeiros dos estados, foram analisados 28 indicadores analíticos,
abrangendo receitas, despesas, endividamento e aplicação dos recursos entre
as áreas de fundamental importância para a sociedade, como saúde, educação e
segurança pública. A principal fonte foram os Balanços Orçamentários
publicados no Sistema de Coleta de Dados Contábeis (SISTN), complementado por dados do Banco Central do Brasil.

A metodologia de pontuação aqui utilizada busca pontuar os estados
de acordo com seu grau de singularidade na gestão de governo. Portanto, por
critério de destaque para Consulta Benefício INSS pelo CPF perante o conjunto dos estados, a
pontuação de cada unidade federativa, num determinado indicador, depende da
distância relativa da unidade perante a média entre todos os estados.

Caso se apresente um indicador estadual dentro de um intervalo padrão, este não
obtém pontuação, por não haver apresentado destaque suficiente, positivo ou negativo, naquele item.

Os cinco primeiros colocados na pesquisa, no ranking final, foram:
São Paulo, Espírito Santo, Amazonas, Ceará e Santa Catarina,
respectivamente. Os cinco últimos estados do ranking foram Sergipe, Rondônia,
Maranhão, Alagoas e Rio Grande do Norte. Como observado anteriormente,
estados social e economicamente maduros, como Minas Gerais, Rio de Janeiro
e Rio Grande do Sul obtiveram resultados algo decepcionantes, permanecendo
em classificações aquém da sua capacidade. Minas Gerais ocupou a 8ª posição,
Rio de Janeiro, apenas a 15ª, e o Rio Grande do Sul, a 18ª.
O estado de São Paulo, por ser uma unidade federativa bastante
desenvolvida, com economia diversificada e de grande escala, obteve uma
pontuação suficientemente grande para contemplá-lo na primeira colocação,
sendo, portanto, o estado mais eficiente do Brasil em relação à gestão pública.

A grande capacidade de arrecadação do estado, baseada no ICMS, importante
fonte de receitas estaduais, compreendendo, em média, 85% da geração de
receitas próprias, foi um grande trunfo para a obtenção desse resultado. Além
disso, o alto grau de diversificação da economia reduz a vulnerabilidade do
estado de São Paulo a choques econômicos, diminuindo o risco de quedas
abruptas da sua capacidade de arrecadação, por não ser dependente de um
setor específico da economia. Por outro lado, o grande estoque de dívida do
estado paulista impede melhor desempenho na sua gestão, uma vez que grande
parte do seu orçamento fica comprometida com os encargos gerados por essa
dívida, inviabilizando a obtenção de novos financiamentos para importantes.

Dicas de como estudar para concurso

Você conhece o tipo. É daqueles que se sentam na primeira fila da sala e que
levanta a mão para responder a todas as perguntas. Seus óculos são maiores que
seu rosto. Não usa produto nenhum para os cabelos. As roupas dele, então, sem
comentários. Ele é um desses CDFs que se inscrevem numa quantidade
excessiva de atividades durante a semana de orientação. Se você diz algo errado
durante a aula, ele logo se antecipa para corrigi-lo antes que o professor diga algo. É o avesso total de um cara relaxado.

Darius está certamente a caminho de Harvard, e só tem 15 anos.
Fazer trabalho em grupo com ele me traz sentimentos contraditórios. Isso
porque ele sempre toma a iniciativa e faz a maior parte do trabalho. Mas, ao
mesmo tempo, isso é um saco. Porque… sabe como é? Esse cara é o Darius.
Faz dez minutos que estamos trabalhando nesta atividade de Estudos para concursos 2020, vai ter uma seleção com somente os melhores.

Nenhum dos demais colegas tem mais qualquer sugestão ou ideia.
Estamos neste
projeto chamado “Corrente do Bem”, em que você deve bolar um modo de
mudar a vida de três pessoas que conhece. Em seguida, precisa delinear um
plano do que fará para ajudá-las. A ideia é que estas pessoas não deverão
retribuir a você; deverão levar o plano adiante, transformando a vida de outras
três pessoas. Se a corrente der certo, ela ficará enorme e, no final, isso poderá
mudar a vida de milhares de pessoas. Numa situação ideal, o mundo todo poderá mudar de modo significativo.

É claro que Darius está apenas começando. Então, enquanto ele coloca suas
ideias no papel com boas dicas para o Concurso Caixa 2019 começa a conversar sobre outro assunto. Ela acaba de fazer umas luzes no
cabelo. As luzes têm uma aparência tão horrível que mal consigo me concentrar no que ela diz.

Por mais que tudo dê errado na vida, sempre posso contar com Sterling para
fazer com que eu me sinta melhor. Ela é a rocha em que me apoio. E de um
modo diferente de meu pai, pois eu ficaria extremamente constrangida ao
confessar esse tipo de coisa para ele. Não quero que ele acabe achando que sou uma idiota.

Então, depois da escola, vou até a casa de Sterling e tento me
recuperar da humilhação pela qual passei no ensaio da orquestra.
— Pelo menos você não teve que tocar dez compassos sozinha — diz Sterling.
— Seria um tanto constrangedor, não?
— É verdade. Mas… suspensão? Logo eu?
— Eu acho que você realmente mudou.
— É, me transformei numa idiota que recebe suspensão por ter dado risada.
Não acredito que esta é a minha vida!
— Aqui está. Experimente isso. — Sterling pega um pedacinho de alguma
coisa numa bandeja cheia de outros pequeninos pedaços de alguma coisa.

Parecem uma versão em miniatura dos tira-gostos que serviram na recepção de
casamento aonde fui, com a diferença de que estes eram mais coloridos e
elaborados. Ela coloca o mais estranho deles em um guardanapo e o faz deslizar pelo balcão, na minha direção.

Quando acordo, no dia seguinte, ainda me sinto animada. Tive um sonho
emocionante, de que estava com meu futuro namorado. Foi a melhor coisa que
já senti na vida. Eu nem sequer sabia que era possível sentir tamanha intensidade
num sonho e ainda lembrar-me dele no momento em que acordo.
Meu dia está sendo ótimo. Até que cruzo com Jordan no corredor.

É agora! É agora que eu vou saber com certeza.
Nash seguiu meu conselho de escrever uma carta à menina de quem ele gosta.
Discutimos, eu e ele, sobre a impossibilidade de ele entregar a carta a ela
pessoalmente. Ele ficaria nervoso demais e então ficaria constrangido por ela
perceber isso. Mas se, em vez disso, ele tivesse um amigo para entregar a ela a
carta, então poderia ficar assistindo de longe, no corredor, e não precisaria estar
diretamente envolvido. Assim, se ela não gostasse dele, ele não teria de ficar
parado à frente dela, descobrindo este fato da maneira mais difícil, enquanto os
olhos dela diriam a ele tudo que ele jamais quisera saber