Você conhece o tipo. É daqueles que se sentam na primeira fila da sala e que
levanta a mão para responder a todas as perguntas. Seus óculos são maiores que
seu rosto. Não usa produto nenhum para os cabelos. As roupas dele, então, sem
comentários. Ele é um desses CDFs que se inscrevem numa quantidade
excessiva de atividades durante a semana de orientação. Se você diz algo errado
durante a aula, ele logo se antecipa para corrigi-lo antes que o professor diga algo. É o avesso total de um cara relaxado.

Darius está certamente a caminho de Harvard, e só tem 15 anos.
Fazer trabalho em grupo com ele me traz sentimentos contraditórios. Isso
porque ele sempre toma a iniciativa e faz a maior parte do trabalho. Mas, ao
mesmo tempo, isso é um saco. Porque… sabe como é? Esse cara é o Darius.
Faz dez minutos que estamos trabalhando nesta atividade de Estudos para concursos 2020, vai ter uma seleção com somente os melhores.

Nenhum dos demais colegas tem mais qualquer sugestão ou ideia.
Estamos neste
projeto chamado “Corrente do Bem”, em que você deve bolar um modo de
mudar a vida de três pessoas que conhece. Em seguida, precisa delinear um
plano do que fará para ajudá-las. A ideia é que estas pessoas não deverão
retribuir a você; deverão levar o plano adiante, transformando a vida de outras
três pessoas. Se a corrente der certo, ela ficará enorme e, no final, isso poderá
mudar a vida de milhares de pessoas. Numa situação ideal, o mundo todo poderá mudar de modo significativo.

É claro que Darius está apenas começando. Então, enquanto ele coloca suas
ideias no papel com boas dicas para o Concurso Caixa 2019 começa a conversar sobre outro assunto. Ela acaba de fazer umas luzes no
cabelo. As luzes têm uma aparência tão horrível que mal consigo me concentrar no que ela diz.

Por mais que tudo dê errado na vida, sempre posso contar com Sterling para
fazer com que eu me sinta melhor. Ela é a rocha em que me apoio. E de um
modo diferente de meu pai, pois eu ficaria extremamente constrangida ao
confessar esse tipo de coisa para ele. Não quero que ele acabe achando que sou uma idiota.

Então, depois da escola, vou até a casa de Sterling e tento me
recuperar da humilhação pela qual passei no ensaio da orquestra.
— Pelo menos você não teve que tocar dez compassos sozinha — diz Sterling.
— Seria um tanto constrangedor, não?
— É verdade. Mas… suspensão? Logo eu?
— Eu acho que você realmente mudou.
— É, me transformei numa idiota que recebe suspensão por ter dado risada.
Não acredito que esta é a minha vida!
— Aqui está. Experimente isso. — Sterling pega um pedacinho de alguma
coisa numa bandeja cheia de outros pequeninos pedaços de alguma coisa.

Parecem uma versão em miniatura dos tira-gostos que serviram na recepção de
casamento aonde fui, com a diferença de que estes eram mais coloridos e
elaborados. Ela coloca o mais estranho deles em um guardanapo e o faz deslizar pelo balcão, na minha direção.

Quando acordo, no dia seguinte, ainda me sinto animada. Tive um sonho
emocionante, de que estava com meu futuro namorado. Foi a melhor coisa que
já senti na vida. Eu nem sequer sabia que era possível sentir tamanha intensidade
num sonho e ainda lembrar-me dele no momento em que acordo.
Meu dia está sendo ótimo. Até que cruzo com Jordan no corredor.

É agora! É agora que eu vou saber com certeza.
Nash seguiu meu conselho de escrever uma carta à menina de quem ele gosta.
Discutimos, eu e ele, sobre a impossibilidade de ele entregar a carta a ela
pessoalmente. Ele ficaria nervoso demais e então ficaria constrangido por ela
perceber isso. Mas se, em vez disso, ele tivesse um amigo para entregar a ela a
carta, então poderia ficar assistindo de longe, no corredor, e não precisaria estar
diretamente envolvido. Assim, se ela não gostasse dele, ele não teria de ficar
parado à frente dela, descobrindo este fato da maneira mais difícil, enquanto os
olhos dela diriam a ele tudo que ele jamais quisera saber

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