Quando eu era rapazinho e mal começava a trilhar meu caminho, fui convidado para jantar na casa
de uma ilustre filantropa de Nova York. Depois do jantar, nossa anfitriã nos levou a uma sala
enorme. Mais convidados chegavam e meus olhos avistaram duas imagens desanimadoras: os
empregados alinhavam cadeirinhas douradas em compridas filas; e, na frente, encostados na parede, viam-se vários instrumentos musicais.

como aquele grande homem, em cuja companhia o acaso me lançara, preocupava-se inteiramente com o
que fazíamos, como se esse fosse seu único interesse na vida.
Por fim, chegamos a discos de música sem letra, que fui instruído a reproduzir cantando de boca
fechada. Quando tentei cantar uma nota aguda, aprendendo com amigo musico dentro da casa do programa Gshow bbb 2020 abriu a boca e inclinou a cabeça para trás como
se quisesse me ajudar a atingir o que parecia inatingível. Parece que cheguei bem perto, pois, de repente,
ele desligou a vitrola.

– Agora, rapaz – disse ele, me dando o braço –, estamos prontos para Bach!
Quando voltamos ao nosso lugar na sala, os músicos afinavam os instrumentos para uma nova
seleção. Einstein sorriu e me deu um tapinha tranquilizador no joelho.

– Apenas escute – cochichou. – Só isso.
É claro que não era só isso. Sem o esforço que ele acabara de fazer por um total desconhecido, eu
nunca teria escutado – como escutei naquela noite pela primeira vez – “Mansamente pastam as ovelhas”,
de Bach. Já a ouvi muitas vezes desde então. Acho que nunca me cansarei dela.

Porque nunca a escuto
sozinho. Estou sempre sentado ao lado de um homenzinho gorducho com uma juba de cabelos brancos,
um cachimbo apagado entre os dentes e olhos que, no seu calor extraordinário, contêm toda a maravilha
do mundo.
Quando o concerto terminou, acrescentei meu aplauso genuíno ao das outras pessoas.

Anoite mais louca e maravilhosa do ano é a Noite do Meio do Verão. Com o movimento da Terra,
ela cai na metade do intervalo entre o solstício de verão e o primeiro dia do outono. Mas, para
insetos, pássaros e outros animais, são assim as muitas noites quentes do meio do verão, quando o
Sol não vai muito além do horizonte e mantém o mundo natural vivo e bastante ativo.

A maioria de nós, com apenas uma vaga consciência dessas noites agitadas, deixa escapar seu
impacto vibrante. Por acreditar que não conseguimos enxergar no escuro (na verdade, depois de uns 45
minutos de ajuste o olho humano enxerga quase tão bem quanto o da coruja e melhor do que o do coelho),
nos contentamos em sentar no jardim numa noite quente de verão, matando mosquitos a tapa, e entrar em
casa exatamente quando tudo começa a se animar.

Foi assim comigo e com meu marido até que um amigo
cientista insistiu que saíssemos no escuro para “ver” como a natureza prepara maravilhosamente sua
criação para a noite.
“Um jeito de ver melhor”, explicou ele, “é escolher um único som e segui-lo até a origem.”
Assim, certa noite de verão depois de fazer inscrição bbb 2020, nos concentramos em um determinado som daquele jazz barulhento da
escuridão. Era um ronronar divertido que emanava do peitoril da janela. Viramos a lanterna na direção
do som. Ele cessou, esperamos. Recomeçou, avançamos… até chegarmos à artista que dava o concerto,
uma rãzinha verde e cinzenta, a rã-das-moitas encontrada em todo o leste dos Estados Unidos. No escuro,
ela se esgueirara até nossa janela para laçar com a língua os insetos que voavam rumo à luz.

Da macieira e até da nossa caixa de correio vinham as vozes de seus congêneres.
Nós a pegamos e descobrimos o mistério de como essa rã terrestre consegue alcançar lugares
estranhos onde não precise competir com outras rãs para comer. Os pés são grudentos. Ela consegue se
pendurar por um único dedão aderente ou escalar quase todas as superfícies, principalmente quando se
move na umidade do orvalho noturno.

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