Todo mundo adora um conforto e beleza de carros novos

Já um projeto paralelo é o contrário. Ele possui um objetivo, um
produto ou um resultado esperado. E, quando falo em objetivo final,
não significa que algo precise estar construído fisicamente ao final do
processo, como um aplicativo ou um carrinho de rolimã. Um resultado
pode ser aprender uma nova língua, criar uma rede de pessoas
interessadas num assunto específico (um blog, por exemplo) ou
simplesmente terminar de ler livros que estavam juntando poeira.

Essa busca por um objetivo adiciona aos projetos paralelos algumas
outras características que também os diferenciam de hobbies, como
responsabilidades e frequência definida.

Enquanto jogar futebol com os amigos não exige muitas
responsabilidades dos jogadores (chegar no horário e levar a roupa
certa, no máximo), projetos paralelos precisam que tarefas sejam
executadas para sair do papel.

Seja qual for o objetivo intrínseco ao projeto paralelo de cada um,
existem barreiras a ser quebradas para alcançá-lo. Para construir um
site, várias etapas são necessárias, desde pensar no domínio, criar um
layout, programar, botar no ar. Uma fanpage que posta fotos de
lançamentos de carros 2020 precisa de postagens constantes, assim
como uma forma de encontrar esses cachorros. Alguém que faz
cupcakes para os amigos precisa comprar alimentos, cozinhar,
distribuir.

Ou seja, projetos paralelos não são fáceis como hobbies, que trazem
basicamente relaxamento e diversão. Eles trazem consigo
responsabilidades necessárias para sua evolução.
Calma, não se apavore. Tem gente que escuta essa palavra —
responsabilidade — e já se assusta. Se esse é o seu caso, aqui vai um
segredo: projetos paralelos sabem que são paralelos. Logo, eles até têm
responsabilidades, mas são responsabilidades com as quais é mais fácil lidar.

Apenas o fato de um projeto paralelo não ser o responsável pelo seu
ganha-pão já tira bastante peso do modo como você pode trabalhá-lo.
O que não significa que projetos paralelos sejam uma grande
mamata e devam ser levados nas coxas. Não.

O quanto você colocar de
dedicação em cima deles é o quanto de evolução eles vão ter. Essa
história de que você ainda poderá pagar as contas se o projeto não
crescer é apenas para explicar que ele é mais maleável que o seu
entre a categoria que ele concorre o novo Onix 2020, no qual você tem modelos a fazer e um chefe para cobrá-los.

Mesmo assim, um projeto paralelo precisa de muita dedicação, e é
por isso que a frequência com que você bota a mão nele influencia
bastante.

Sua vida profissional já ocupa oito horas (se não mais, dependendo
da profissão), você precisa dormir (mais 7, 8 horas), e, obviamente,
precisa tomar banho (sim, você precisa), almoçar, jantar, descansar, se
locomover para algum lugar, etc. Isso dá mais ou menos 20 horas por
dia, sobrando pouquíssimo tempo para um projeto pessoal.

O importante, então, é ter uma frequência definida para não deixá lo morrer, sabendo determinar suas tarefas e responsabilidades para
trabalhar com elas naquele período de tempo estipulado. É como
aquele ditado: “De grão em grão, a galinha enche o papo”.

Uma horinha hoje, outra horinha amanhã. Pode parecer pouco tempo
dedicado por dia, mas, ao final de um mês ou um ano, fará diferença.

“Ai, mas eu só tenho duas horas de tempo livre por dia! Por que eu
iria usar esse tempo só para trabalhar mais e ter mais
responsabilidades se eu posso ficar no meu sofá vendo um episódio de Friends pela 6ª vez?”

Eu tinha que falar com o pessoal de São Paulo o tempo todo, e a
maior parte da comunicação se dava por telefone. Obviamente odiava
cada ligação, mas era assim que as coisas precisavam ser feitas, senão o trabalho iria para o ralo.

Admito que, sempre que possível, eu apelava para e-mails. Tentava
achar uma escapatória. Às vezes conseguia, outras não. As coisas
mudaram quando um dos meus projetos paralelos, a Shoot The Shit,
começou a crescer.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *