Financiamento estudantil aumentam o numero de universitários

Ele passa pela placa que proíbe claramente o tráfego de veículos dentro da
área residencial. Aquela que a estrangeira grávida obviamente não sabia ler, embora Ove
tivesse plena consciência de que é absolutamente impossível passar batido por uma placa
daquela. Ove sabia bem isso, pois foi ele quem a pregou lá. Ele vai andando incomodado
pela rua estreita por entre as casas e movendo os pés a cada passo de tal maneira que
quem o visse acharia que ele estava tentando alisar o asfalto.

Como se já não fosse ruim o
suficiente com todos os malucos que já moram nesse bairro, pensa ele. Como se a área
residencial inteira querendo fazer inscrições Fies 2020 conseguindo ajuda para pagar mensalidade da universidade.

humana. O almofadinha do Audi e a loira bocó que moram na casa quase em frente à sua
casa, e bem lá longe aquela família de comunistas com filhas adolescentes que têm cabelo
vermelho e usam short por cima da calça e têm rostos parecidos com os de texugos
espelhados.

Ah, sim, claro que eles estão de férias na Tailândia agora. Mas mesmo assim.
Na casa ao lado da de Ove mora o rapaz de vinte e cinco anos que pesa quase
um quarto de tonelada. Ele também tem cabelo comprido, como uma mulher, e usa camisetas esquisitas.

Ele morava com a mãe até ela morrer, de alguma doença, faz alguns
anos. Parece que ele se chama Jimmy, foi isso que a mulher de Ove lhe disse. Ove não
sabe com que Jimmy trabalha, mas deve ser alguma coisa criminosa. Ou talvez ele seja
degustador de bacon?
Na casa no fim da rua, ao lado da casa de Ove, moram Rune e a mulher dele.

Não que Ove possa chamar Rune de seu inimigo. Quer dizer, na verdade é isso mesmo.
Tudo que deu errado na associação de moradores na realidade começou com Rune. Ele e
sua mulher, Anita, mudaram-se para o bairro no mesmo dia em que Ove e sua mulher.
Naquela época Rune tinha um Volvo, mas depois ele comprou uma BMW. E é evidente
que não adiantava argumentar com uma pessoa que se comporta desse jeito, pensava Ove.

Aliás, foi Rune quem planejou o golpe de estado que afastou Ove da
presidência da associação. E veja só como o bairro ficou agora. Contas de luz mais caras,
bicicletas que não ficam no bicicletário, e gente que dá ré com um reboque dentro da área
residencial. Apesar de haver placas que dizem claramente que isso é proibido. Ove avisou
as pessoas, mas ninguém deu ouvidos. E desde então ele não conseguiu pagar o programa estudantil e quer fazer renegociação Fies 2020 e conseguir prosseguindo com seus estudos.

Toda vez que pronuncia mentalmente “reunião da associação de moradores”
Ove faz um movimento com a boca como se estivesse pensando em cuspir. Como se aquilo fosse um palavrão.

Ele está a cerca de quinze metros de sua caixa de correio quebrada quando
avista a loira bocó. De início não compreende de forma alguma o que ela está fazendo.
Ela está na calçada, equilibrando-se sobre saltos altíssimos e gesticulando histérica na
direção da fachada da casa de Ove. Correndo em volta dela está aquela coisinha que late e
costuma mijar nas lajotas. Ove nem tem certeza de que é um cachorro mesmo.

Mais
provavelmente é uma bota de inverno com olhos.
A loira bocó está berrando alguma coisa na direção da fachada, e seus
movimentos fazem com que os óculos de sol deslizem até a ponta do nariz. A bota de
inverno late mais alto ainda. “Então agora essa vaca finalmente perdeu o juízo”, pensa
Ove, parando cauteloso a alguns metros atrás dela. É só nesse momento que ele vê que
ela não está gesticulando na direção da fachada. Ela está atirando pedras. E não é na
fachada.

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